Os modelos de Inteligência Artificial (IA) conseguem hoje gerar texto, responder a perguntas em segundos e resolver problemas complexos em múltiplos domínios, mas “como é que uma máquina aprende a tomar decisões?”. A reflexão deu mote à palestra “Reinforcement Learning in the Era of Large Language Models: Challenges and Opportunities”, apresentada por Zita Marinho, professora do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, na Semana Informática do Instituto Superior Técnico (SINFO), que decorreu entre 20 e 24 de abril no Técnico Innovation Center powered by Fidelidade.
A docente do Técnico, explorou diferentes métodos de Reinforcement Learning (RL) utilizados no treino de grandes modelos de linguagem. Entre exemplos de sistemas treinados com feedback humano e mecanismos de verificação automática de respostas, destacou o potencial destas tecnologias para apoiar a descoberta científica e resolver problemas complexos.
“Estamos a tentar construir sistemas que não se limitem a gerar texto plausível, mas que consigam aprender a resolver tarefas de forma mais robusta e útil”, explicou. “O grande desafio é perceber como criar modelos que consigam ‘raciocinar’ melhor, adaptar-se a novos contextos e produzir respostas fiáveis”.
A docente, antiga Senior Research Scientist da Google DeepMind – empresa tecnológica focada no desenvolvimento de sistemas de aprendizagem automática de larga escala – apontou os recursos computacionais como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento destes modelos. “Os modelos atuais exigem enormes capacidades de processamento e grandes volumes de dados”, afirmou. “Uma parte importante da investigação passa precisamente por encontrar métodos mais eficientes, capazes de fazer mais com menos recursos”.
Para Zita Marinho, esta é também uma questão que influencia “diretamente o futuro da investigação académica”. “Se quisermos democratizar o desenvolvimento de IA, precisamos de métodos que não dependam exclusivamente de infraestruturas gigantescas”, acrescentou, dando ênfase à necessidade de reduzir barreiras de “acesso ao poder computacional” e de promover abordagens mais eficientes e sustentáveis. “A inovação também passa por tornar estas tecnologias mais acessíveis à comunidade científica”.
A conversa com os estudantes prolongou-se para além dos aspetos técnicos da tecnologia. Questionada sobre percursos académicos e oportunidades na área, a docente destacou a importância de aproximar mais jovens da investigação em IA. “Estas iniciativas ajudam os alunos a perceber o que existe dentro do Técnico e as áreas em que podem trabalhar”, referiu. “Criar uma comunidade forte em Inteligência Artificial dentro da Escola é também criar mais oportunidades para os estudantes”.
“O estudante deixa de ler sobre inovação para passar a discuti-la com quem a cria”
“A SINFO serve de guia para as correntes do setor tecnológico”, defende Cecília Correia, alumna de Engenharia Informática e de Computadores do Técnico e coordenadora da edição deste ano. “Ao apresentar as últimas tendências, ajudamos os estudantes a alinhar a sua formação com as exigências do mercado”. Para a responsável, um dos aspetos centrais da iniciativa continua a ser o contacto direto entre estudantes, empresas e investigadores. “O estudante deixa de ler sobre inovação para passar a discuti-la com quem a cria”.
“Fazemos questão de mostrar estas realidades através das carreiras de sucesso dos nossos oradores convidados”, refere ainda Cecília Correia, sublinhando a diversidade de percursos representados ao longo do evento. “É frequente que antigos organizadores da SINFO regressem ao evento enquanto representantes das suas próprias empresas”, acrescentou. “É esta cultura de continuidade e excelência que [nos] define”.
Integrada nas Semanas das Carreiras do Técnico, a 33.ª edição da Semana Informática reuniu mais de 6000 participantes, cerca de 100 empresas e dezenas de oradores nacionais e internacionais. Entre workshops, palestras e espaços de networking, a iniciativa voltou a transformar o Técnico num ponto de encontro entre ensino, investigação e indústria tecnológica, aproximando estudantes das principais tendências e desafios atuais da Informática.