Campus e Comunidade

“Muito antes de ter decidido o curso superior, já sabia que queria estudar no Técnico”

A declaração é de João Soares, antigo aluno Engenharia Informática e de Computadores no campus do Taguspark e atualmente Program Manager na Google.

 

João Soares sempre foi bom aluno. Uma das suas disciplinas favoritas de sempre era a Matemática, uma predileção que já deixava antever o caminho que se seguiria. “Muito antes de ter decidido o curso superior, já sabia que queria estudar no Técnico”, começa por confessar o antigo aluno. Na base desta robusta ambição estava “a reputação de excelência no ensino e dos professores” que “são referências a nível nacional e internacional”. Este desejo ia também sendo alicerçado por “testemunhos de amigos mais velhos”.

Se a instituição de ensino não lhe deixava margem para dúvidas, por sua vez, a escolha do curso já seria toldada por alguma indecisão. Ainda assim, João Soares sempre soube querer trabalhar na área tecnológica e, por isso, acabaria por escolher Engenharia Informática e de Computadores. Quanto à opção de fazer o curso no polo do Taguspark, o alumnus recorda o fascínio que lhe causaram as novas instalações do campus, mas confessa que a proximidade da casa dos pais acabou por ser um factor preponderante na tomada de decisão.

Dos tempos do Técnico, o antigo aluno guarda várias e distintas recordações: “desde as primeiras aulas teóricas de Cálculo Diferencial e Integral num anfiteatro cheio, passando pelas tardes e noites de estudo na biblioteca do Taguspark, até às sessões de dúvidas em gabinetes de professores”. “No campo pessoal, relembro as grandes amizades que fiz e a grande entreajuda entre alunos”, partilha, em seguida.

Também muito presente na sua memória está “o sentimento de dever cumprido” que o invadiu no momento em que terminou o curso. “Lembro-me que no dia da defesa da minha tese senti que uma etapa importante da minha formação enquanto profissional e ser humano estava completa”, conta.  “Recordo-me também de um sentimento claro de que todo o esforço, rigor e dedicação tinha valido a pena”, acrescenta.

João Soares optaria por começar o seu percurso profissional numa consultora Big Four : a KPMG. “A KPMG foi uma ótima escola no sentido em que me expôs a múltiplas realidades, indústrias, projetos e equipas”, declara. “Foi na KPMG que tive oportunidade de trabalhar em contextos totalmente diferentes dos habituais no mundo empresarial ocidental, tal como um projeto de Business Intelligence numa telecom no Iraque – foi inesquecível”, relembra.

Ao longo de um ano, o antigo aluno ainda tentou conciliar a carreira na indústria com o seu interesse pela investigação. “Infelizmente não consegui conciliar as duas, e optei só pela consultoria”, recorda.  Ainda assim, da sua breve experiência como investigador do INESC retirou “múltiplas aprendizagens”, de entre as quais destaca: “o método científico pela definição de um problema, formulação de hipóteses, desenvolvimento de uma solução e finalmente testes”.

A exposição ocasional às realidades de outros países, através dos projetos que ia abraçando na KPMG, começaria a despertar no antigo aluno “a necessidade de ficar ainda mais imerso em outras culturas e de sair de Portugal”. Durante alguns meses enviou currículos para startups e grandes empresas tecnológicas, até que” aterrou” numa oportunidade excelente na Google que não deixaria escapar.

“Sou um profissional que retira energia e motivação das equipas pelas quais sou responsável, e com quem trabalho diretamente”

Volvidos quase 7 anos desde que esta aventura começou, o entusiasmo pelo que faz continua plasmado em cada palavra proferida por João Soares. “A Google é uma empresa enorme com várias áreas de negócio e diferentes culturas”, salienta. Ainda que seja difícil generalizar, para o antigo aluno “o principal desafio é a adaptação a um estilo de liderança distribuído, menos top-down, em que as decisões e prioridades são formuladas em consensos mais alargados, e onde cada opinião é valorizada”. “Este tipo de cultura tem aspetos muito positivos, mas pode gerar inquietação para quem está habituado a um estilo de liderança mais direto”, acrescenta.

Depois de mais de 4 anos no escritório da Irlanda, o antigo aluno rumou a Nova Iorque, onde trabalha na área de produto de Search – o motor de pesquisa da Google. “Sou um Program Manager e tenho a meu cargo a gestão de todo o portefólio de projetos de Search na área de Saúde. O meu trabalho consiste principalmente em garantir a execução sólida e atempada de múltiplos projetos de engenharia, muitos deles com requisitos de produto e envolvendo tecnologias bastante complexas”, explica.

João Soares afirma que só opera ao seu melhor nível quando se sente identificado com a área em que trabalha.  “Por isso é que procurei trabalhar numa área importante como o motor de pesquisa da Google”, justifica. No autorretrato que faz de si enquanto profissional, destaca a capacidade de motivar as equipas que lidera, e não só: “sou um profissional que retira energia e motivação das equipas pelas quais sou responsável, e com quem trabalho diretamente”.  “Finalmente, faço questão de manter-me constantemente atualizado no que toca a tecnologias, métodos de gestão de projeto e produtividade em equipas”, adiciona.

Ainda que notoriamente apaixonado pelo que faz, o antigo aluno não esconde que a vontade de regressar a Portugal faz parte dos seus planos. Aliás, é assim desde o dia em que decidiu partir. “Sinto falta das coisas óbvias tais como proximidade de amigos e família, comida, o sol e as praias, mas também sinto falta de outras coisas talvez menos óbvias como, por exemplo, guiar na ponte 25 de Abril perto do pôr do sol”, partilha.

Assim, quando lhe pedimos para narrar o que gostaria de estar a fazer daqui a 10 anos, João Soares já está de regresso. “Gostaria de estar de volta a Portugal e trabalhar numa empresa mais pequena, na área de desenvolvimento de produto, e adoraria poder contribuir para a consolidação de uma equipa de engenharia e produto made in Portugal”, avança.

Aos alunos que estão agora a terminar o curso, e que podem ver no seu percurso uma inspiração, o alumnus incentiva-os a perseguirem “um espírito de aprendizagem constante”. Afinal, como o próprio faz questão de vincar “cada situação – seja positiva ou negativa- é uma fonte vital de conhecimentos que podem ser aplicados mais tarde”.

A importância de escolher “um primeiro emprego que ofereça possibilidades de trabalho em vários contextos, tais como diferentes tipos de projetos, equipas, geografias, etc.”, faz parte da lista de conselhos que o antigo aluno faz questão de deixar aos futuros engenheiros do Técnico.  Por fim, João Soares sublinha preponderância de manter “uma ligação contínua à Universidade através de investigação ou outros grupos de contacto”. “A inovação no contexto da Academia é uma fonte de prestígio individual e coletivo, para a Universidade e para o país”, evidencia.