Campus e Comunidade

O final como começo

Mais de 200 finalistas do Técnico receberam, no passado sábado, o diploma de graduação numa cerimónia envolta em muito contentamento, orgulho e muitas expetativas face ao futuro.

Os finalistas chegavam normalmente acompanhados, por amigos ou familiares, trajados a rigor como o momento o exigia. Os que preferiram vir sozinhos não o estavam, vinham ladeados pelos sonhos e pela sensação de dever cumprido. Rapidamente se cruzam olhares com os parceiros de aventura – a dos últimos anos e a que este momento simboliza. Os comentários saltitam velozmente entre a excitação do “já ser engenheiro” e o alívio de quem acabou de travar uma das primeiras batalhas da vida profissional. “Eu nem acredito”, era uma expressão recorrente no início da cerimónia que rapidamente foi beliscada pelo diploma entregue naquele que foi o X Dia da Graduação. Não é apenas mais um dia, “é o primeiro do resto da vossa vida” – vão soltando os familiares. A frase pode ser “batida”, mas o sentimento neles é genuinamente novo e entusiasmante e faz do momento algo incontornavelmente encantador.

Dos corredores, os graduados rapidamente são reencaminhados para a escadaria que dá acesso à Aula Magna da Universidade de Lisboa – o palco escolhido para a cerimónia do passado sábado, 12 de janeiro. Os graduados são chamados individualmente- mesmo, ainda que sejam mais de duzentos os que fizeram questão de marcar presença e assinalar o momento. A imagem funciona quase como uma metáfora do caminho até aqui: há uns que esperam mais do que outros no alcance do objetivo final, não estão sozinhos na espera nem no nervosismo, há sempre um degrau em se pode tropeçar, a espera é árdua, mas traz um sonho consigo, e no momento da entrega do diploma o cansaço da jornada valerá a pena. As expressões triunfantes são uma constante no momento da entrega dos diplomas pelos respetivos coordenadores de curso e os aplausos da plateia brindam o esforço e ecoam o sabor da conquista.

A primeira intervenção da tarde ficou a cargo do presidente do Técnico, professor Arlindo Oliveira, e as palavras iniciais só podiam ser de felicitação aos graduados e às famílias – suportes fulcrais em todo este processo. Fazendo referência à vasta gama de ferramentas que levam do Técnico, o docente destacou algumas das mais importantes: “o facto de terem aprendido a pensar e a raciocinar, a atacar problemas complexos e por vezes abstratos, vai ser-vos útil com certeza durante toda a vossa vida”. Ainda sobre as matérias que os recém-graduados tiveram a possibilidade de aprender, o professor Arlindo Oliveira apontou-as como a melhor arma para “enfrentar um futuro onde a Ciência, a Tecnologia e a Engenharia vão mudar profundamente”. Convicto de estar diante dos líderes do futuro, o presidente do Técnico desafiou-os a abraçar as diferentes funções que vierem a ocupar “com visão, competência e abnegação”. “Tenho a certeza que irão ter um imenso prazer nos cargos que vierem a ocupar, nos desafios que irão enfrentar”, referia ainda. Por fim, o presidente do Técnico lançava um desejo: “que todos vocês continuem a ver-se ao longo da vida como ainda alunos do Técnico sempre preparados para aprender, mas seguramente como graduados do Técnico que vêem com honra e prazer o facto de se terem graduado na maior e melhor escola do país e uma das melhores do mundo”, concluía arrancando um efusivo aplauso de concordância.

Os protagonistas da cerimónia eram claramente os graduados e por isso mesmo a palavra havia de lhes chegar. Bruno Gonçalves, graduado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, e Ana Marta Borges, graduada em Engenharia Eletrónica, foram os porta-vozes das emoções das centenas de graduados, e agarraram no difícil papel ao jeito de cada um, mas sempre fazendo questão de realçar o que é comum a todos: as dificuldades do percurso, o apoio dos familiares e amigos, a sensação de dever cumprido, mas acima de tudo os ensinamentos que levam na bagagem agora que uma viagem termina e outra está prestes a começar. “Já dizia um professor meu que a receita do Técnico é muito simples e é já aplicada há vários anos: a Escola vai buscar as melhores pessoas da geração que está a entrar para a universidade, basicamente mata-as de trabalho e depois quando saem são pessoas excecionais”, dizia Bruno Gonçalves, arrancando as gargalhadas da audiência. Destacando algumas das ferramentas adquiridas, tais como a “exigência, a inovação e a capacidade de aprender a aprender”, o agora antigo aluno incitou os colegas a que “nesta nova fase da nossa vida sejamos inovadores, resilientes, sem medo de enfrentar novos desafios como, no fundo, o Técnico sempre nos incentivou a fazer”. “Sejamos os primeiros a levantar a mão e os últimos a sair, nunca desistindo.  E, claro, não nos fiquemos por este retângulo à beira-mar, continuemos a conquistar o mundo à imagem do que muitos outros portugueses fizeram no passado, e também como o Técnico sempre nos mostrou”, assinalava por fim.

Também no seu discurso, Ana Marta Borges fez questão de enfatizar as valências que o percurso lhe permitiu amealhar e que tem a certeza que farão a diferença no futuro de todos: “o Técnico deu-nos a oportunidade e os meios para desenvolvermos não só as nossas capacidades técnicas, mas também as nossas capacidades interpessoais. E é isso que nos distingue, a vontade de fazer sempre mais e melhor, sem nunca desistir”. Através da citação de Alfredo Bensaude – “Uma escola de amadores não cria profissionais” – partilhava por fim, e com orgulho, a sua convicção de que “seremos sempre capazes de enfrentar todos os desafios com que nos deparemos graças a tudo o que aqui aprendemos”.

De quem está a viver o momento o guião da cerimónia rapidamente passou para quem não o esqueceu. A alumna Cristina Fonseca subiu ao palco para num discurso muito direto – como lhe é comum -, deixar todas as mensagens necessárias através das suas memórias e dos ensinamentos que foi amealhando ao longo dos oito anos que decorreram desde o seu dia da graduação. “Há oito anos, eu estava aí desse lado e tal como a maioria de vós, era uma pessoa naife apesar de não acreditar nisso. Tinha boas notas, tinha um curso da maior faculdade de Portugal e o meu futuro tinha tudo para ser brilhante”, começava por dizer a co-fundadora da Talkdesk. Falando de alguns dos seus sonhos de então, das próprias expetativas e das que foram construindo em torno dela, rumou a uma das experiências mais marcantes da sua vida e da qual retirou os ensinamentos que ditaram as escolhas da carreira que viria a seguir. A pneumonia que contraiu e a consequente passagem pelo hospital e pelos cuidados intensivos, a semana em que esteve “entre a vida e a morte”, e alguns episódios especialmente desesperantes que passou durante o período, fizeram-na aprender que “a vida pode mesmo acabar amanhã e que o que fazemos hoje é o que importa”.  “Decidi que não ia passar o meu tempo a fazer aquilo que outras pessoas esperavam que eu fizesse”, declarava cativando por completo a atenção da audiência. Quando terminou o mestrado, “porque nenhuma das ofertas de emprego me parecia interessar de todo”, Cristina Fonseca decidiu não aceitar nenhuma. “Muita gente pensou que eu era louca, incluindo algumas pessoas que estão nesta sala e com as quais aprendi imenso”, frisava. Seguiu-se um ano de trabalho árduo, com muitos falhanços, até que surge o projeto hoje em dia reconhecido além-fronteiras. “Foi a experiência acumulada, de tentar várias vezes, falhar, mas mantendo o fascínio pela aprendizagem que nos fez criar a Talkdesk”, declarou a alumna do Técnico.  “O sucesso demora tempo, é mais ou menos como terminar cursos no Técnico”, brincava Cristina Fonseca. Entre tantas outras mensagens, a co-fundadora da Talkdesk vincou a importância de os recém-graduados “serem os melhores em alguma coisa antes de esperarem que coisas extraordinárias vos aconteçam a nível profissional” e que “a melhor forma de ter sucesso no longo prazo é serem tão bons que se tornam indispensáveis”.

Tomava depois a palavra o reitor da Universidade de Lisboa (ULisboa), professor António Cruz Serra, que através de um discurso breve reiterou as felicitações, sublinhando estar perante “o melhor que Portugal tem”, “jovens com competências para transformar o país e a sociedade. É isso que esperamos e é disso que se trata a formação do Técnico”, declarava.  O reitor da ULisboa não se coibiu também, e à semelhança dos restantes oradores, de partilhar as expetativas para o futuro destes recém-graduados. “Esperamos muita coisa de vós. Que vão mais longe do que nós – aqueles que vos ensinaram-, que vão mais longe do que aqueles que fizeram a ciência que vocês estudaram, que sejam capazes de criar as empresas que mudem Portugal. E esperamos, claro que tenhamos pelo menos algum Prémio Nobel”. As expetativas estão altas, mas os sorrisos convictos na plateia parecem não o temer, afinal foi assim desde o primeiro dia no Técnico.

 

Fotografias da cerimónia