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Professor do Técnico distinguido com prémio internacional na área da matemática

Giordano Cotti recebeu o prémio Frontiers of Science 2026 pelo artigo que teoriza equações com coeficientes analíticos e singularidades.

Para Giordano Cotti, docente do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa,e investigador no Grupo de Física Matemática (GFM), a matemática é “uma atividade humana e realiza-se plenamente quando pode ser partilhada”. Esta perspetiva levou-o a desenvolver, em colaboração com os seus orientadores, o artigo que lhe conferiu o prémio Frontiers of Science 2026 na área da Matemática. A distinção, atribuída pelo International Congress of Basic Science (ICBS), reconhece não só a investigação fundamental e aplicada na área da matemática, como da física e das ciências da computação.

“Receber o Prémio Frontiers of Science 2026 é, para mim, uma grande honra e um momento para refletir sobre o percurso feito até aqui e sobre o trabalho que quero continuar a desenvolver”, refere o docente. Além disso, acredita que o  prémio traduz-se também numa “responsabilidade acrescida” de continuar a desenvolver investigação de “alta qualidade” e de contribuir para tornar a matemática “mais visível, mais acessível e mais dialogante”. 

O artigo intitulado “Isomonodromy deformations at an irregular singularity with coalescing eigenvalues”, foi publicado em 2019, na sequência do doutoramento concluído em 2017, e estuda a forma como equações matemáticas complexas, mais especificamente equações diferenciais ordinárias com coeficientes analíticos e singularidades, mantêm propriedades fundamentais mesmo quando sofrem alterações. Para o investigador, o mérito está em “tornar controlável um regime que era visto como particularmente difícil”, explicou.

Na sua perspetiva, existe um “desafio central” na matemática que passa pelo equilíbrio entre a “profundidade” e a “comunicabilidade”. O investigador considera que “num campo que nem sempre é fácil de comunicar fora dos contextos especializados” este reconhecimento contribui para aproximar a investigação matemática de uma “comunidade científica mais alargada”. “Muitos avanços recentes são altamente técnicos e nem sempre é fácil torná-los transferíveis para outras comunidades matemáticas ou para áreas próximas”, completa.

Com a motivação reforçada para prosseguir o trabalho de investigação, Giordano Cotti afirma ter “em mente um pequeno conjunto de problemas ‘guia’ ” que funciona como “fio condutor” da sua investigação diária. Destaca ainda que são precisamente “os desafios técnicos mais exigentes, a dificuldade crescente e a necessidade de desenvolver novas ideias” os aspetos que mais o motivam para futuras investigações.