O Centro de Estudos de Gestão do Instituto Superior Técnico (CEGIST) assinalou, no passado dia 24 de julho, o seu 30.º aniversário com uma cerimónia no Salão Nobre do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa. A celebração reuniu membros da comunidade académica, antigos e atuais investigadores e convidados nacionais e internacionais para recordar o percurso do centro e discutir os desafios das próximas décadas.
Nas palavras de Rogério Colaço, presidente do Técnico, celebrar os 30 anos do CEGIST é “celebrar todas as pessoas que o construíram”. Na sessão de abertura, salientou a forte ligação internacional da unidade de investigação e a sua capacidade para “transformar problemas complexos em decisões informadas”, e lançou ainda o desafio de continuar a responder às profundas transformações tecnológicas da atualidade.
Também presente na cerimónia, Cecília Rodrigues, vice-reitora da Universidade de Lisboa, sublinhou o papel do Técnico enquanto centro de conhecimento. “O Técnico é um lugar onde as pessoas são incentivadas a colocar questões desconfortáveis”, afirmou, acrescentando que os elevados padrões da Escola e da Universidade “não se tratam de sorte, mas de uma escolha deliberada” pela excelência. No final da sua intervenção, felicitou o centro pelo trabalho desenvolvido ao longo das últimas três décadas. “Parabéns, devem sentir-se orgulhosos”.
O evento contou com um painel de conversa com Ana Póvoa e Carlos Bana e Costa, dois dos três investigadores do CEGIST reconhecidos entre o top 2% dos cientistas mais citados a nível mundial, de acordo com o ranking da Universidade de Stanford. Moderada por Bill Williams, membro do CEGIST, a sessão permitiu aos investigadores refletirem sobre o seu percurso científico e os fatores que contribuíram para o reconhecimento internacional.
Durante a conversa, Ana Póvoa destacou a importância da persistência e da paixão pela investigação. “Ser investigador não é um trabalho fácil, é preciso amar o que se faz”, afirmou. Já Carlos Bana e Costa explicou que o seu trabalho na área da análise de decisão procura apoiar processos coletivos de tomada de decisão. “A ideia não era suportar uma pessoa, mas um coletivo em conflito”. Os dois investigadores receberam ainda prémios de reconhecimento atribuídos pelo CEGIST pelo impacto científico alcançado.
A Engenharia o futuro sustentável estiveram em discussão
A cerimónia contou ainda com a mesa-redonda “The Next 30 Years: Engineering a Sustainable Tomorrow”, composta pelos membros do Conselho Consultivo Internacional do CEGIST: Elena Fernández (Universidade de Cádis), Gregory Parnell (Universidade do Arkansas), Grit Walther (Universidade RWTH Aachen ), Heriberto Cabezas (Universidade Széchenyi István) e Roy Thurik (Universidade Erasmus de Roterdão). Ao longo da discussão foram abordados temas como a resiliência perante a instabilidade política e os desastres naturais, a quantificação da incerteza na tomada de decisão, métodos de otimização, demografia e modelos de sustentabilidade global.
Para Ana Carvalho, investigadora principal do grupo SUSTAINS (Soluções Sustentáveis e Avaliação para Sistemas de Economia Circular) do CEGIST e moderadora da mesa-redonda, o debate constituiu uma oportunidade para refletir sobre desafios globais e possíveis soluções. Além da partilha de conhecimento, considerou que o painel transmitiu uma mensagem de confiança ao trabalho desenvolvido pelo centro. “Deram-nos também apoio motivacional, mostrando que já somos excelentes e que somos capazes de continuar a responder a estes desafios”, referiu.
Entre os participantes encontrava-se também Francisco Viterbo, estudante de doutoramento em Engenharia e Gestão e bolseiro do CEGIST, que desenvolve investigação em colaboração com o Hospital de Santa Maria. Depois de concluir que a gestão estratégica correspondia aos seus interesses, passou do mestrado em Engenharia Biomédica para a investigação na área da sustentabilidade em ambiente hospitalar, procurando apoiar a administração na alocação de recursos financeiros e humanos. “O CEGIST é uma instituição que sempre me atraiu muito na forma como fazia a investigação na fronteira da gestão e da engenharia”, afirmou.
Para o jovem bolseiro, o centro demonstra que é possível “aplicar conhecimento” científico com “impacto real” na sociedade e na tomada de decisão. Questionado sobre o futuro da unidade, Francisco Viterbo considera que “as linhas orientadoras estão definidas” para garantir um crescimento sustentado.
“O CEGIST tem uma coisa muito boa, as suas pessoas. São muito inteligentes, procuram investigação de topo, têm muita colaboração internacional, eu acho que é verdadeiramente isso que faz o nosso centro”, afirmou Daniel Santos, vice-presidente da comissão executiva do CEGIST. O vice-presidente discursou em representação de Tânia Ramos, presidente do centro, e recordou o trabalho desenvolvido na preparação da celebração.
De acordo com Daniel Santos, a organização realizou um levantamento histórico da unidade de investigação através da consulta de arquivos, documentos e relatórios antigos, permitindo construir uma cronologia da evolução do CEGIST desde a sua fundação.
Após a recente avaliação de “excelência” atribuída pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), o vice-presidente defendeu que o principal objetivo passa por “manter a qualidade científica alcançada” pelo CEGIST, tendo ainda destacado o trabalho desenvolvido pela presidente da unidade de investigação, Tânia Ramos.
A cerimónia terminou com a exibição de um vídeo comemorativo, que reuniu membros da comunidade do CEGIST, seguida do tradicional canto dos parabéns pelos 30 anos do centro.